domingo, 15 de abril de 2007

Casal Gay

Agora, para aliviar um pouco da "má-língua", um artigo de Arturo Perez Reverté, publicado no "El Semanal" que acho simplesmente delicioso. Quando é que os Guilhermes de Melo da nossa praça, serão capazes de escrever algo assim? Espero que gostem:

"Nunca antes me había fijado en la cantidad de parejas homosexuales que se ven paseando por Venecia. Los encuentras caminado por los puentes, a la orilla de los canales, cenando en los pequeños restaurantes del casco viejo. No suele tratarse de dúos espectaculares, sino todo lo contrario: gente discreta, tranquila, a menudo con aspecto educado. Mirando a los demás aprendes cantidad de cosas, y en el caso de estas parejas siempre me encanta sorprender sus gestos comedidos de confianza o afecto, el reparto convencional de roles que suele darse entre uno y otro, la ternura contenida que a menudo sientes flotar entre ellos, en su inmovilidad, en sus silencios. Pensaba en todo eso el otro día, a bordo del vaporetto que cubre el trayecto de San Marcos al Lido. Sobre la laguna soplaba un viento helado, los pasajeros íbamos encogidos de frío, y en un banco de la embarcación había una pareja, hombre y hombre, cuarentones, tranquilos. Se sentaban muy juntos, apoyado discretamente un hombro en el del compañero, en un intento de darse calor. Iban quietos y callados, mirando el agua verdegris y el cielo color ceniza. Y en un momento determinado, cuando el barco hizo un movimiento y la luz y la gama de grises del paisaje se combinaron de pronto con extraordinaria belleza, los ví cambiar una sonrisa rápida, fugaz, parecida a un beso o una caricia.
Parecían felices. Dos tipos con suerte, pensé. Aunque sea dentro de lo que cabe. Porque viéndolos allí, en aquella tarde glacial, a bordo del vaporetto que los llevaba a través de la laguna de esa ciudad cosmopolita, tolerante y sabia, pensé cuántas horas amargas no estarían siendo vengadas en ese momento por aquella sonrisa. Largas adoslescencias dando vueltas por los parques o los cines para descubrir el sexo, mientras otros jóvenes se enamoraban, escribían poemas o bailaban abrazados en las fiestas del Instituto. Noches de echarse a la calle soñando con un príncipe azul de la misma edad, para volver de madrugada, hechos una mierda, llenos de asco y de soledad. La imposibilidad de decirle a un hombre que tiene los ojos bonitos, o una hermosa voz, porque, en vez de dar las gracias o sonreír, lo más probable es que le parta a uno la cara. Y cuando apetece salir, conocer, hablar, enamorarse o lo que sea, en vez de un café o un bar, verse condenado de por vida a los locales de ambiente, las madrugadas entre cuerpos Danone empastillados, reinonas escandalosas y drag queens de vía estrecha. Salvo que alguno -muchos- lo tenga mal asumido y se autoconfine a la alternativa cutre de la sauna, la sala X, la revista de contactos y la sordidez del urinario público. A veces pienso en lo afortunado, o lo sólido, o lo entero, que debe de ser un homosexual que consigue llegar a los cuarenta sin odiar desaforadamente a esta sociedad hipócrita, obsesionada por averiguar, juzgar y condenar con quién se mete, o no se mete, en la cama. Envidio la ecuanimidad, la sangre fría, de quien puede mantenerse sereno y seguir viviendo como si tal cosa, sin rencor, a lo suyo, en vez de echarse a la calle a volarle los huevos a la gente que por activa o por pasiva ha destrozado su vida, y sigue destrozando la de los chicos de catorce o quince años que a diario, todavía hoy, siguen teniéndolo igual que él lo tuvo: las mismas angustias, los mismos chistes de maricones en la tele, el mismo desprecio alrededor, la misma soledad y la misma amargura. Envidio la lucidez y la calma de quienes, a pesar de todo, se mantienen fieles a sí mismos, sin estridencias pero también sin complejos, seres humanos por encima de todo. Gente que en tiempos como éstos, cuando todo el mundo, partidos, comunidades, grupos sociales, reivindica sus correspondientes deudas históricas, podría argumentar, con más derecho que muchos, la deuda impagada de tantos años de adolescencia perdidos, tantos golpes y vejaciones sufridas sin haber cometido jamás delito alguno, tanta rechifla y tanta afrenta grosera infligida por gentuza que, no ya en lo intelectual, sino en lo puramente humano, se encuentra a un nivel abyecto, muy por debajo del suyo. Pensaba en todo eso mientras el barquito cruzaba la laguna y la pareja se mantenía inmóvil, el uno contra el otro, hombro con hombro. Y antes de volver a lo mío y olvidarlos, me pregunté cuantos fantasmas atormentados, cuántas infelices almas errantes no habrían dado cualquier cosa, incluso la vida, por estar en su lugar. Por estar allí, en Venecia, dándose calor en aquella fría tarde de sus vidas."


TARTUFICES – parte II (ou “Afinal havia outra”)


Este post (ainda maior que o anterior) vai ser dedicado àquele blog de cervídeos de virgindade mais ou menos duvidosa, cujo apanágio são as escandalosas e provocatórias exibições de carnes e a quem uma vez preguei uma partida (um bocadinho reles) mas que serviu para demonstrar o grau de estupidez e hipocrisia que impera por este país à beira mar plantado, que tão generosamente acolhe uns no seu seio e tão implacavelmente exclui outros.
Tudo começou quando um certo João Z publicou um post intitulado “BICHAS”, aparentemente a apelar à “tolerância” (como eu detesto esta palavra e toda a requintada hipocrisia que ela contém) em relação às ditas, mas que, na minha modesta opinião, mais não era do que um profundo exercício de hipocrisia e de auto-elogio, mais ou menos encoberto.
Apesar de o referido post ser bastante disparatado - mesmo para os olhos de um leigo de fracos recursos culturais e intelectuais como eu - e de já nada me conseguir espantar neste país, confesso que fiquei siderado quando comecei a ver aquela malta toda muito intelectual (ou que, pelo menos, muito se esforça por assim parecer) a tecer-lhe os mais rasgados elogios.
Comecei a pensar: das duas uma. Ou eu estou bêbado com água da torneira ou então esta gente só consegue mesmo pensar através de fórmulas e discursos pré-fabricados.
Fui esperando pacientemente a ver se alguém tinha um mínimo de espirito crítico e desmontava as falácias que por ali andavam. Por fim (farto de esperar) e num dia em que estava deliciado a ouvir aquela música da Mónica Sintra “Afinal havia outra e eu sem nada saber, sorria...”, cometi um crime e traduzi o referido post para um site espanhol (supostamente de gente fútil e tonta). E está-se mesmo a ver a barracada que foi quando gente, supostamente fútil e tonta, começou a reparar e a criticar aspectos que passaram totalmente ao lado dos intelectuais cá do burgo. Confesso que nunca ri tanto na minha vida.
Tempos depois fui confessar o meu crime no blog dos cervídeos e então é que o circo pegou fogo. Ele foi um nunca mais acabar de injúrias e humilhações (mais por parte dos adeptos do blog e não tanto dos seus autores, diga-se em abono da verdade) e só não fui sujeito a torturas, espancamentos e violações porque a virtualidade deste meio cibernético não permite a consecução física de tais desmandos. No entanto, ainda tive a “honra” de me ser dedicado um post intitulado “DESONESTIDADE INTELECTUAL”, escrito pelo membro mais intelectual do staff do blog dos cervídeos.
Posteriormente a isto, julgava eu já ter assentado a poeira toda e já ter visto tudo, ainda me ri mais um bocadinho quando li uma comovedora e patética mensagem do sr. João Z. escrita em inglês (no tal site espanhol... isto é só lógica...) denunciando os meus crimes, ignominias e actos de malvadez e fazendo um pungente apelo aos seus detractores (espanhóis) para que lhe escrevessem de modo a conseguir explicar-se. Enfim, como diria o outro: vidinhas...
Vou deixar-vos com o post original (BICHAS), com exemplos de comentários do público português e com exemplos de comentários do público espanhol. Divirtam-se (ou chorem...).

1) BICHAS por João Z. (http://renaseveados.weblog.com.pt/arquivo/189897.html):

“Quando comecei a lidar com a minha sexualidade e a pensar que poderia vir a ser gay, comecei também a controlar-me para ser o mais straight-acting possível. Não faças isto assim, esse gesto foi muito feminino, essa palavra não é muito usada por heterossexuais, não, não, não, reprime, controla, cala. O medo de que alguém olhasse para mim e percebesse que era gay era constante e terrível, um passo em falso e... Era preciso afastar-me a todo o custo do esterótipo da "bicha". Com o tempo fui percebendo que as pessoas não estavam constantemente a analisar cada movimento meu e que quem estivesse mais atento iria perceber de uma forma ou de outra. Ainda assim, não me sentia muito confortável com pessoas que, na minha opinião, eram "bichas".
O meu primeiro namorado era uma dessas pessoas, indiscutivelmente muito bicha. Nunca o tratei mal nem lhe pedi que mudasse o seu comportamento, mas por dentro sentia-me incomodado, não gostava de ser o centro das atenções, mas, pior, não gostava que as pessoas percebessem que era gay por estar com ele. O meu anonimato desaparecia quando estava com ele, a segurança que eu derivava daí deixava de existir. No fundo sabia que ele era mesmo assim e que o problema estava nos outros e não nele, mas naquele momento não conseguia lidar bem com isso, os olhares das outras pessoas acusavam-nos e só queria que não olhassem para mim.
Mais tarde comecei a separar um pouco as águas. Comecei a compreender que havia aspectos distintos que me incomodavam e quais deles me causavam esse incómodo por culpa minha ou de quem os possuía. Percebi que os estereótipos ajudam a classificar rapidamente as pessoas, mas nenhuma pessoa se resume apenas a um estereótipo. Percebi que me podia sentir incomodado com pessoas que falam alto e que não suportam passar despercebidas, mas pessoas assim não são só gays nem só gays efeminados. Percebi que não me podia sentir incomodado por alguém ser mais feminino, que direito tinha eu de dizer a essa pessoa para não se comportar da forma que lhe era natural e com a qual se sentia bem, e, mais importante, que realmente não estava a interferir com as minhas liberdades? Só porque me tinham ensinado que os comportamentos de homens e mulheres eram distintos e deviam ser seguidos à risca? Sorry, don't play that game no more. Só tenho pena de duas coisas: de não ter percebido isto mais cedo e de outras pessoas não o virem a perceber. Se tivesse crescido numa sociedade mais tolerante talvez fosse mais feminino, mas também mais autêntico e feliz.”

2) EXS. DE COMENTÁRIOS PORTUGUESES:

comentário 1:
Grande artigo Zun, como me revejo nele. Lamento os erros que cometi por pura estupidez (como deixei com que os (pre)conceitos dos outros ditassem o que fazia ou a minha atitude para com terceiros). Dizem que a sabedoria só vem dos erros e da dor... ao ler o teu artigo e analisar o meu percurso pessoal só posso concordar.

comentário 2:
EXCELENTE EXCELENTE EXCELENTE POSTA!
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Avioneta Malabarista em abril 10, 2005 01:13 AM

comentário 3:
É com posts excelentes como este que se derrubam gradualmente os preconceitos.
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Santos Passos em abril 10, 2005 04:56 AM

comentário 4:
bem, lembrei-me do primeiro casal gay que conheci, dois espanhóis encantadores, um deles bastante feminino e o outro muito pouco ou mesmo nada. disseram-me um dia que nao tinham que ser "bichas loucas" para estarem clara e inequivocamente bem na sua pele, ou seja, os tais histerismos que ja foram mencionados acima não faziam parte do comportamento deles. aprendi com eles que não é necessario ser desta ou daquela forma, nem tão pouco fazer alarde da nossa sexualidade como se de um estandarte se tratasse. ambos eram pessoas extraordinarias que não escondiam a sua vida em comum, que se abraçavam em publico e passeavam de mãos dadas, que nunca vi negar o seu corpo ou a sua condição de homens e homossexuais, mas que tb nunca vi em atitudes de espavento. o que não quer dizer que não mereçam respeito aqueles que o fazem, eu não aprecio, da mesma forma que não gosto de ver uma mulher a sacudir o traseiro exageradamente, ou a falar alto para dar nas vistas!
olha gostei muito deste post e dos comentários que levantou. bjito pour toi!
Afixado por:
pandora em abril 11, 2005 09:20 PM

3) EXS. DE COMENTÁRIOS ESPANHÓIS:

comentário 1:
Hola, corazón. Buenos días.
No es cuestión de literatura, de sintáxis ni de redacción, no, es otra cosa. De hecho yo he visto en este mismo foro a muchas moñas que aunque escribían sus mensajes como si fueran palmípedas borrachas el resultado era mucho más interesante y más edificante que el que ha escrito nuestra encantadora amiga la J.Z. con su atribulada su historia autobiográfica. Por cierto... ¿Qué es lo que cuenta en definitiva? ¿Que era una loca reprimida y que cuando salió del capullo daba miedo verla de los estragos que causaba por ahí? ¿Que de tan amargada que estaba se volvió loca?
También habría que analizar de un modo subjetivo algunas de las frases con las que colma esta misiva destinada al sinsentido. Frases como por ejemplo: "Mi primero novio era una de esas personas, indiscutiblemente muy loca. Jamás lo he maltratado..." O séa que lo normal es que a las "locas" muy "locas" se las maltrate con regularidad, y élla que es tan buena y tan santa jamás la maltrato (a su pesar)... Sin comentarios. Otra frase: "empecé también a controlarme para ser lo más straight-acting posible..." ¿Empezó a controlarse para ser qué...? ¿Lo más qué...? ¡Ay que miedo me da! Empezó a controlarse para ser moderna e internacional y así poder decir estas sorprendentes tonterías en un amplio abanico de idiomas. Otra, esta en plan divino: "Más tarde empecé a separar un poco las aguas..." ¡Moises! ¡Moises era marica!. Una más: "Percibí que me podía sentir incomodado con personas que hablan alto..." Muy lógico nena, a todos nos molesta si nos chillan al oído... Por favor, es que hay cada una por ahí que yo no sé como explicarmelo.
Y por si fuera poco el nombrecito con que lo firma: Juan Zun. Aiinns, si con solo pronunciarlo ya te se queda en la cara una mueca como de desilusión. Uf, al decir su nombre me se queda cara de agobiado. No me gusta.
Resumen: Juan Zun es tonta y su mensaje es un pastel de mierda, un bodrio y una solemne tomadura de pelo. Xao

comentario 2:
Cariño, si eso es lo mejor que has leído nunca... Cuentanos, guapa, ¿Aparte de las indicaciones para no ponerte la compresa del revés te has leido algo más o ya no?
Eso es todo, un beso, cari.

Beijinhos e até à próxima...

TARTUFICES – parte I (ou o que faz correr Pedro N.)

Este será o primeiro de quatro posts dedicados à “tartufice” no domínio luso da lgbtlândia.
Diz-se que uma imagem vale mais do que mil palavras (pelo menos torna-se menos aborrecido do que ler um post longo). Mas na impossibilidade de uma imagem utilizarei exemplos que, aviso já, vão ser longos.
O 1º exemplo (o deste post em particular) será dedicado a um sr. que anda muito ralado com os “novos excluídos” (não deste blog, evidentemente) e que até tem perfil no Gaydar como forma de aliciar pessoas para o activismo (?) gay (eu imagino o tipo de “activismo”... deve ser daquele “activismo” com pelo menos 20 cm...).
O 2º exemplo será dedicado àquele blog de cervídeos, cada vez mais ditatorial, que se dedica (agora mais raramente) a escandalosas e provocatórias exibições de carnes. Perguntarão vocês: mas que raio terão esses gajos a ver com tartufices? Respondo eu: esperem pelo 2º post e verão.
O 3º exemplo será dedicado àquela azougada associação de felídeos (de unhas postiças), que se dedica a censurar as mensagens que não lhes convêm e a fingir que lutam pelos direitos de todos os lgbt e contra todas as exclusões.
O último exemplo será dedicado a este país em geral. Podia arranjar muito mais exemplos, mas estes são mais do que suficientes.
Ora então comecemos por dar uma ao Sr. Pedro N.
Travei relações (não no sentido que muitos de vocês estarão eventualmente a pensar, seus porcalhões) com esta ínclita e oxigenada personagem através de um “debate” na caixa de comentários do blog das Panteras Rosas. Desse debate se concluiu - e vou citar um ilustre anónimo - que: “O meu discurso (do anónimo) e o teu (deste vosso criado KTVCI) sao os unicos verdadeiros aqui porque dizemos exactamente aquilo que pensamos enquanto os restantes sao hipocritas, falsos e politicamente correctos. Principalmente o do sr. Nascimento que pretende armar-se no bonzinho de servico aqui do Panteras. Mas ja estao desmascarados e so nao ve isso quem n quer”.
Achei imensa graça ao facto de este sr. que até escreve artigos mostrando a sua preocupação pelos “novos excluídos” (na óptica dele os velhos, os feios e os efeminados) afinal chegar à conclusão que se um desses novos excluídos (como p. ex. este vosso criado KTVCI) se atrever a contra-atacar os que o insultam, é “porque... consultando as mensagens anteriores do KTVCI.. percebi que o seu problema é muito mais enraizado do que eu pensava. No entanto, muitos dos gays efeminados com quem falo demonstram essa mesma atitude critica e agressiva em relação aos restantes membros da comunidade glbt. Parece-me que para além de haver ai uma certa inveja, perfeitamente justificada e compreensível, dos gays normalizados existe também uma revolta muito enraizada fruto da discriminação a que são constantemente sujeitos também dentro da comunidade GLBT. Um pouco á semelhança do que se verifica entre irmãos onde um deles se sente inferiorizado e preterido pelos pais desenvolvendo um grande sentimento de inveja, falta de auto-estima e revolta, difíceis de ultrapassar.”. E blablabla.
Ou seja, a lengalenga habitual dos hipócritas: fazem um grande esforço a tentar provar que são muito bonzinhos (se calhar porque já não podem ser considerados bonzões...), têm sempre muita pena dos desgraçadinhos, mas se estes fazem a mínima coisa para lutarem contra esse “estado de desgraça” é porque são uns invejosos, têm falta de auto-estima, etc... Mas também compreende-se. No fim de contas no dia em que deixar de haver desgraçadinhos e “novos excluídos”, como diabo vão os Pedro Ns. desta vida arranjar maneira de se sentirem superiores e de tentarem demonstrar que são umas jóias de pessoas, sabe-se lá com que intenção?
Aliás em Portugal, parece que o único sentimento conhecido para que não se concorde cegamente com tudo aquilo que certas pessoas dizem é a inveja. Assim como as únicas doenças mentais que se conhecem são a esquizofrenia e a depressão.
Mas pergunto eu: inveja de quê? De gente estúpida, incapaz de raciocinar por si própria e que só consegue exprimir-se papagueando até à exaustão os mesmos inúteis e estafados discursos pré-fabricados (que metem sempre a estrutura familiar baseada na moral judaico-cristã, a exclusão da mulher como interveniente das mudanças políticas e sociais, etc.)? De gente tonta que passa a vida a gabar-se de ser muita bem tratada pela maioria heterossexual, de ter muitos amigos entre políticos, advogados, magistrados, agentes da PJ, etc., mas que, no entanto, se borra de medo dos skins e nem sequer consegue manifestar-se ou boicotar os Armazéns do Chiado (muito menos processar esse estabelecimento e os seus seguranças) quando um gay é agredido nesse local em pleno dia à vista de todos (provavelmente até à vista de outros gays, que pululam por esse local, mas que devem ter ficado muito quietinhos e caladinhos, reservando as “garras” para alguma vítima mais indefesa ou minoritária)? De gente cobarde e desprezível que só consegue atacar os mais fracos e indefesos (e mesmo assim quando se encontra em grupo ou quando sente as “costas quentes”)? De gente que tanto se orgulha do seu “aspecto normalizado” (como certos mulatos se gabam de terem uma tez mais clara ou feições mais “caucasóides”), mas que, muitas vezes e apesar disso, nem um trabalho decente conseguem arranjar para se bastarem a si próprios, ao contrário de outros que apesar do seu aspecto “anormalizado” conseguem bastar-se a si próprios numa sociedade em que só existe gente velhaca, ordinária, estúpida, racista, homofóbica, cobarde e porca (entre os quais muitos lgbt) que ferozmente os ataca e discrimina e tudo faz para os “desgraçar”? De gente que apesar de ser lgbt, ao sentirem-se um pouco mais “tolerados” ou “normalizados” começam a atacar, insultar, gozar os lgbt “anormalizados”, por vezes com uma violência e crueldade, que até choca alguns heteros? Um dia tenho que contar uma situação que presenciei envolvendo um casal hetero, uma “bicha” e um grupo desses gays de perna bem aberta, firmemente plantada no solo, para dar um ar mais macho.
Algumas pessoas ficam muito escandalizadas porque generalizo dizendo que vivemos num país (mundo) em que só há gente velhaca, ordinária, estúpida, racista, homofóbica, cobarde e porca, mas o problema é que nunca vi ninguém a defender (com “garra e determinação”) um desses “anormalizados novos excluídos” de que, às vezes, se fala só quando alguém quer mostrar que, apesar de normalizado, é muito bonzinho.
Ai o que eu ri quando descobri, através de conhecidos (porque não tenho perfil no Gaydar), que no perfil que o sr. Pedro N. tem nesse site (em conjunto com outra pessoa que faz parte do site gls qualquer coisa) se queixa de enviar centenas de mensagens a diversas pessoas (por uma incrível coincidência todas jovens e/ou bonitas) apelando ao activismo e que ninguém lhe responde. E ri não por causa disto, mas porque me contaram que este sr. Pedro N. - que tanto se queixa da falta de “sentido de classe” dos “bollicaos” que não lhe respondem – não envia mensagens e tampouco responde a mensagens enviadas por “velhos, feios ou efeminados” para uma simples conversa. Ou seja bem prega frei Tomás mas...
Depois venham falar-me em inveja quando o único sentimento que se pode nutrir por esta gentalha é um saudável e bem humorado desprezo. Admirem-se da falta de “sentido de classe” dos lgbt portugueses quando os exemplos dos “activistas” são estes.Sabem que mais? Vão mas é comer arroz de polvo malandrinho...