segunda-feira, 21 de maio de 2007

A vida é cheia de surpresas (ou afinal não sou um outcast, quem diria...)


30 % Nerd, 21% Geek, 47% Dork
For The Record:

A Nerd is someone who is passionate about learning/being smart/academia.
A Geek is someone who is passionate about some particular area or subject, often an obscure or difficult one.
A Dork is someone who has difficulty with common social expectations/interactions.
You scored less than half in all three, earning you the title of: Joe Normal.
This is not to say that you don't have some Nerd, Geek or Dork inside of you--we all do, and you can see the percentages you have right above. This is just to say that none of those qualities stand out so much as to define you. Sure, you enjoy an episode of Star Trek now and again, and yeah, you kinda enjoyed a few classes back in the day. And, once in a while, you stumble while walking down the street even though there was nothing there to cause you to trip. But, for the most part, you look and act fairly typically, and aren't much of an outcast.
I'd say there's a fair chance someone asked you to take this test. In any event, fairly normal.
Congratulations!
ISTO REALMENTE SÓ A MIM! AFINAL SOU (OU ACHO-ME) UMA PESSOA NORMAL. ISTO A VIDA TEM CADA SURPRESA! TSSSSS....

domingo, 15 de abril de 2007

Casal Gay

Agora, para aliviar um pouco da "má-língua", um artigo de Arturo Perez Reverté, publicado no "El Semanal" que acho simplesmente delicioso. Quando é que os Guilhermes de Melo da nossa praça, serão capazes de escrever algo assim? Espero que gostem:

"Nunca antes me había fijado en la cantidad de parejas homosexuales que se ven paseando por Venecia. Los encuentras caminado por los puentes, a la orilla de los canales, cenando en los pequeños restaurantes del casco viejo. No suele tratarse de dúos espectaculares, sino todo lo contrario: gente discreta, tranquila, a menudo con aspecto educado. Mirando a los demás aprendes cantidad de cosas, y en el caso de estas parejas siempre me encanta sorprender sus gestos comedidos de confianza o afecto, el reparto convencional de roles que suele darse entre uno y otro, la ternura contenida que a menudo sientes flotar entre ellos, en su inmovilidad, en sus silencios. Pensaba en todo eso el otro día, a bordo del vaporetto que cubre el trayecto de San Marcos al Lido. Sobre la laguna soplaba un viento helado, los pasajeros íbamos encogidos de frío, y en un banco de la embarcación había una pareja, hombre y hombre, cuarentones, tranquilos. Se sentaban muy juntos, apoyado discretamente un hombro en el del compañero, en un intento de darse calor. Iban quietos y callados, mirando el agua verdegris y el cielo color ceniza. Y en un momento determinado, cuando el barco hizo un movimiento y la luz y la gama de grises del paisaje se combinaron de pronto con extraordinaria belleza, los ví cambiar una sonrisa rápida, fugaz, parecida a un beso o una caricia.
Parecían felices. Dos tipos con suerte, pensé. Aunque sea dentro de lo que cabe. Porque viéndolos allí, en aquella tarde glacial, a bordo del vaporetto que los llevaba a través de la laguna de esa ciudad cosmopolita, tolerante y sabia, pensé cuántas horas amargas no estarían siendo vengadas en ese momento por aquella sonrisa. Largas adoslescencias dando vueltas por los parques o los cines para descubrir el sexo, mientras otros jóvenes se enamoraban, escribían poemas o bailaban abrazados en las fiestas del Instituto. Noches de echarse a la calle soñando con un príncipe azul de la misma edad, para volver de madrugada, hechos una mierda, llenos de asco y de soledad. La imposibilidad de decirle a un hombre que tiene los ojos bonitos, o una hermosa voz, porque, en vez de dar las gracias o sonreír, lo más probable es que le parta a uno la cara. Y cuando apetece salir, conocer, hablar, enamorarse o lo que sea, en vez de un café o un bar, verse condenado de por vida a los locales de ambiente, las madrugadas entre cuerpos Danone empastillados, reinonas escandalosas y drag queens de vía estrecha. Salvo que alguno -muchos- lo tenga mal asumido y se autoconfine a la alternativa cutre de la sauna, la sala X, la revista de contactos y la sordidez del urinario público. A veces pienso en lo afortunado, o lo sólido, o lo entero, que debe de ser un homosexual que consigue llegar a los cuarenta sin odiar desaforadamente a esta sociedad hipócrita, obsesionada por averiguar, juzgar y condenar con quién se mete, o no se mete, en la cama. Envidio la ecuanimidad, la sangre fría, de quien puede mantenerse sereno y seguir viviendo como si tal cosa, sin rencor, a lo suyo, en vez de echarse a la calle a volarle los huevos a la gente que por activa o por pasiva ha destrozado su vida, y sigue destrozando la de los chicos de catorce o quince años que a diario, todavía hoy, siguen teniéndolo igual que él lo tuvo: las mismas angustias, los mismos chistes de maricones en la tele, el mismo desprecio alrededor, la misma soledad y la misma amargura. Envidio la lucidez y la calma de quienes, a pesar de todo, se mantienen fieles a sí mismos, sin estridencias pero también sin complejos, seres humanos por encima de todo. Gente que en tiempos como éstos, cuando todo el mundo, partidos, comunidades, grupos sociales, reivindica sus correspondientes deudas históricas, podría argumentar, con más derecho que muchos, la deuda impagada de tantos años de adolescencia perdidos, tantos golpes y vejaciones sufridas sin haber cometido jamás delito alguno, tanta rechifla y tanta afrenta grosera infligida por gentuza que, no ya en lo intelectual, sino en lo puramente humano, se encuentra a un nivel abyecto, muy por debajo del suyo. Pensaba en todo eso mientras el barquito cruzaba la laguna y la pareja se mantenía inmóvil, el uno contra el otro, hombro con hombro. Y antes de volver a lo mío y olvidarlos, me pregunté cuantos fantasmas atormentados, cuántas infelices almas errantes no habrían dado cualquier cosa, incluso la vida, por estar en su lugar. Por estar allí, en Venecia, dándose calor en aquella fría tarde de sus vidas."


TARTUFICES – parte II (ou “Afinal havia outra”)


Este post (ainda maior que o anterior) vai ser dedicado àquele blog de cervídeos de virgindade mais ou menos duvidosa, cujo apanágio são as escandalosas e provocatórias exibições de carnes e a quem uma vez preguei uma partida (um bocadinho reles) mas que serviu para demonstrar o grau de estupidez e hipocrisia que impera por este país à beira mar plantado, que tão generosamente acolhe uns no seu seio e tão implacavelmente exclui outros.
Tudo começou quando um certo João Z publicou um post intitulado “BICHAS”, aparentemente a apelar à “tolerância” (como eu detesto esta palavra e toda a requintada hipocrisia que ela contém) em relação às ditas, mas que, na minha modesta opinião, mais não era do que um profundo exercício de hipocrisia e de auto-elogio, mais ou menos encoberto.
Apesar de o referido post ser bastante disparatado - mesmo para os olhos de um leigo de fracos recursos culturais e intelectuais como eu - e de já nada me conseguir espantar neste país, confesso que fiquei siderado quando comecei a ver aquela malta toda muito intelectual (ou que, pelo menos, muito se esforça por assim parecer) a tecer-lhe os mais rasgados elogios.
Comecei a pensar: das duas uma. Ou eu estou bêbado com água da torneira ou então esta gente só consegue mesmo pensar através de fórmulas e discursos pré-fabricados.
Fui esperando pacientemente a ver se alguém tinha um mínimo de espirito crítico e desmontava as falácias que por ali andavam. Por fim (farto de esperar) e num dia em que estava deliciado a ouvir aquela música da Mónica Sintra “Afinal havia outra e eu sem nada saber, sorria...”, cometi um crime e traduzi o referido post para um site espanhol (supostamente de gente fútil e tonta). E está-se mesmo a ver a barracada que foi quando gente, supostamente fútil e tonta, começou a reparar e a criticar aspectos que passaram totalmente ao lado dos intelectuais cá do burgo. Confesso que nunca ri tanto na minha vida.
Tempos depois fui confessar o meu crime no blog dos cervídeos e então é que o circo pegou fogo. Ele foi um nunca mais acabar de injúrias e humilhações (mais por parte dos adeptos do blog e não tanto dos seus autores, diga-se em abono da verdade) e só não fui sujeito a torturas, espancamentos e violações porque a virtualidade deste meio cibernético não permite a consecução física de tais desmandos. No entanto, ainda tive a “honra” de me ser dedicado um post intitulado “DESONESTIDADE INTELECTUAL”, escrito pelo membro mais intelectual do staff do blog dos cervídeos.
Posteriormente a isto, julgava eu já ter assentado a poeira toda e já ter visto tudo, ainda me ri mais um bocadinho quando li uma comovedora e patética mensagem do sr. João Z. escrita em inglês (no tal site espanhol... isto é só lógica...) denunciando os meus crimes, ignominias e actos de malvadez e fazendo um pungente apelo aos seus detractores (espanhóis) para que lhe escrevessem de modo a conseguir explicar-se. Enfim, como diria o outro: vidinhas...
Vou deixar-vos com o post original (BICHAS), com exemplos de comentários do público português e com exemplos de comentários do público espanhol. Divirtam-se (ou chorem...).

1) BICHAS por João Z. (http://renaseveados.weblog.com.pt/arquivo/189897.html):

“Quando comecei a lidar com a minha sexualidade e a pensar que poderia vir a ser gay, comecei também a controlar-me para ser o mais straight-acting possível. Não faças isto assim, esse gesto foi muito feminino, essa palavra não é muito usada por heterossexuais, não, não, não, reprime, controla, cala. O medo de que alguém olhasse para mim e percebesse que era gay era constante e terrível, um passo em falso e... Era preciso afastar-me a todo o custo do esterótipo da "bicha". Com o tempo fui percebendo que as pessoas não estavam constantemente a analisar cada movimento meu e que quem estivesse mais atento iria perceber de uma forma ou de outra. Ainda assim, não me sentia muito confortável com pessoas que, na minha opinião, eram "bichas".
O meu primeiro namorado era uma dessas pessoas, indiscutivelmente muito bicha. Nunca o tratei mal nem lhe pedi que mudasse o seu comportamento, mas por dentro sentia-me incomodado, não gostava de ser o centro das atenções, mas, pior, não gostava que as pessoas percebessem que era gay por estar com ele. O meu anonimato desaparecia quando estava com ele, a segurança que eu derivava daí deixava de existir. No fundo sabia que ele era mesmo assim e que o problema estava nos outros e não nele, mas naquele momento não conseguia lidar bem com isso, os olhares das outras pessoas acusavam-nos e só queria que não olhassem para mim.
Mais tarde comecei a separar um pouco as águas. Comecei a compreender que havia aspectos distintos que me incomodavam e quais deles me causavam esse incómodo por culpa minha ou de quem os possuía. Percebi que os estereótipos ajudam a classificar rapidamente as pessoas, mas nenhuma pessoa se resume apenas a um estereótipo. Percebi que me podia sentir incomodado com pessoas que falam alto e que não suportam passar despercebidas, mas pessoas assim não são só gays nem só gays efeminados. Percebi que não me podia sentir incomodado por alguém ser mais feminino, que direito tinha eu de dizer a essa pessoa para não se comportar da forma que lhe era natural e com a qual se sentia bem, e, mais importante, que realmente não estava a interferir com as minhas liberdades? Só porque me tinham ensinado que os comportamentos de homens e mulheres eram distintos e deviam ser seguidos à risca? Sorry, don't play that game no more. Só tenho pena de duas coisas: de não ter percebido isto mais cedo e de outras pessoas não o virem a perceber. Se tivesse crescido numa sociedade mais tolerante talvez fosse mais feminino, mas também mais autêntico e feliz.”

2) EXS. DE COMENTÁRIOS PORTUGUESES:

comentário 1:
Grande artigo Zun, como me revejo nele. Lamento os erros que cometi por pura estupidez (como deixei com que os (pre)conceitos dos outros ditassem o que fazia ou a minha atitude para com terceiros). Dizem que a sabedoria só vem dos erros e da dor... ao ler o teu artigo e analisar o meu percurso pessoal só posso concordar.

comentário 2:
EXCELENTE EXCELENTE EXCELENTE POSTA!
Afixado por:
Avioneta Malabarista em abril 10, 2005 01:13 AM

comentário 3:
É com posts excelentes como este que se derrubam gradualmente os preconceitos.
Afixado por:
Santos Passos em abril 10, 2005 04:56 AM

comentário 4:
bem, lembrei-me do primeiro casal gay que conheci, dois espanhóis encantadores, um deles bastante feminino e o outro muito pouco ou mesmo nada. disseram-me um dia que nao tinham que ser "bichas loucas" para estarem clara e inequivocamente bem na sua pele, ou seja, os tais histerismos que ja foram mencionados acima não faziam parte do comportamento deles. aprendi com eles que não é necessario ser desta ou daquela forma, nem tão pouco fazer alarde da nossa sexualidade como se de um estandarte se tratasse. ambos eram pessoas extraordinarias que não escondiam a sua vida em comum, que se abraçavam em publico e passeavam de mãos dadas, que nunca vi negar o seu corpo ou a sua condição de homens e homossexuais, mas que tb nunca vi em atitudes de espavento. o que não quer dizer que não mereçam respeito aqueles que o fazem, eu não aprecio, da mesma forma que não gosto de ver uma mulher a sacudir o traseiro exageradamente, ou a falar alto para dar nas vistas!
olha gostei muito deste post e dos comentários que levantou. bjito pour toi!
Afixado por:
pandora em abril 11, 2005 09:20 PM

3) EXS. DE COMENTÁRIOS ESPANHÓIS:

comentário 1:
Hola, corazón. Buenos días.
No es cuestión de literatura, de sintáxis ni de redacción, no, es otra cosa. De hecho yo he visto en este mismo foro a muchas moñas que aunque escribían sus mensajes como si fueran palmípedas borrachas el resultado era mucho más interesante y más edificante que el que ha escrito nuestra encantadora amiga la J.Z. con su atribulada su historia autobiográfica. Por cierto... ¿Qué es lo que cuenta en definitiva? ¿Que era una loca reprimida y que cuando salió del capullo daba miedo verla de los estragos que causaba por ahí? ¿Que de tan amargada que estaba se volvió loca?
También habría que analizar de un modo subjetivo algunas de las frases con las que colma esta misiva destinada al sinsentido. Frases como por ejemplo: "Mi primero novio era una de esas personas, indiscutiblemente muy loca. Jamás lo he maltratado..." O séa que lo normal es que a las "locas" muy "locas" se las maltrate con regularidad, y élla que es tan buena y tan santa jamás la maltrato (a su pesar)... Sin comentarios. Otra frase: "empecé también a controlarme para ser lo más straight-acting posible..." ¿Empezó a controlarse para ser qué...? ¿Lo más qué...? ¡Ay que miedo me da! Empezó a controlarse para ser moderna e internacional y así poder decir estas sorprendentes tonterías en un amplio abanico de idiomas. Otra, esta en plan divino: "Más tarde empecé a separar un poco las aguas..." ¡Moises! ¡Moises era marica!. Una más: "Percibí que me podía sentir incomodado con personas que hablan alto..." Muy lógico nena, a todos nos molesta si nos chillan al oído... Por favor, es que hay cada una por ahí que yo no sé como explicarmelo.
Y por si fuera poco el nombrecito con que lo firma: Juan Zun. Aiinns, si con solo pronunciarlo ya te se queda en la cara una mueca como de desilusión. Uf, al decir su nombre me se queda cara de agobiado. No me gusta.
Resumen: Juan Zun es tonta y su mensaje es un pastel de mierda, un bodrio y una solemne tomadura de pelo. Xao

comentario 2:
Cariño, si eso es lo mejor que has leído nunca... Cuentanos, guapa, ¿Aparte de las indicaciones para no ponerte la compresa del revés te has leido algo más o ya no?
Eso es todo, un beso, cari.

Beijinhos e até à próxima...

TARTUFICES – parte I (ou o que faz correr Pedro N.)

Este será o primeiro de quatro posts dedicados à “tartufice” no domínio luso da lgbtlândia.
Diz-se que uma imagem vale mais do que mil palavras (pelo menos torna-se menos aborrecido do que ler um post longo). Mas na impossibilidade de uma imagem utilizarei exemplos que, aviso já, vão ser longos.
O 1º exemplo (o deste post em particular) será dedicado a um sr. que anda muito ralado com os “novos excluídos” (não deste blog, evidentemente) e que até tem perfil no Gaydar como forma de aliciar pessoas para o activismo (?) gay (eu imagino o tipo de “activismo”... deve ser daquele “activismo” com pelo menos 20 cm...).
O 2º exemplo será dedicado àquele blog de cervídeos, cada vez mais ditatorial, que se dedica (agora mais raramente) a escandalosas e provocatórias exibições de carnes. Perguntarão vocês: mas que raio terão esses gajos a ver com tartufices? Respondo eu: esperem pelo 2º post e verão.
O 3º exemplo será dedicado àquela azougada associação de felídeos (de unhas postiças), que se dedica a censurar as mensagens que não lhes convêm e a fingir que lutam pelos direitos de todos os lgbt e contra todas as exclusões.
O último exemplo será dedicado a este país em geral. Podia arranjar muito mais exemplos, mas estes são mais do que suficientes.
Ora então comecemos por dar uma ao Sr. Pedro N.
Travei relações (não no sentido que muitos de vocês estarão eventualmente a pensar, seus porcalhões) com esta ínclita e oxigenada personagem através de um “debate” na caixa de comentários do blog das Panteras Rosas. Desse debate se concluiu - e vou citar um ilustre anónimo - que: “O meu discurso (do anónimo) e o teu (deste vosso criado KTVCI) sao os unicos verdadeiros aqui porque dizemos exactamente aquilo que pensamos enquanto os restantes sao hipocritas, falsos e politicamente correctos. Principalmente o do sr. Nascimento que pretende armar-se no bonzinho de servico aqui do Panteras. Mas ja estao desmascarados e so nao ve isso quem n quer”.
Achei imensa graça ao facto de este sr. que até escreve artigos mostrando a sua preocupação pelos “novos excluídos” (na óptica dele os velhos, os feios e os efeminados) afinal chegar à conclusão que se um desses novos excluídos (como p. ex. este vosso criado KTVCI) se atrever a contra-atacar os que o insultam, é “porque... consultando as mensagens anteriores do KTVCI.. percebi que o seu problema é muito mais enraizado do que eu pensava. No entanto, muitos dos gays efeminados com quem falo demonstram essa mesma atitude critica e agressiva em relação aos restantes membros da comunidade glbt. Parece-me que para além de haver ai uma certa inveja, perfeitamente justificada e compreensível, dos gays normalizados existe também uma revolta muito enraizada fruto da discriminação a que são constantemente sujeitos também dentro da comunidade GLBT. Um pouco á semelhança do que se verifica entre irmãos onde um deles se sente inferiorizado e preterido pelos pais desenvolvendo um grande sentimento de inveja, falta de auto-estima e revolta, difíceis de ultrapassar.”. E blablabla.
Ou seja, a lengalenga habitual dos hipócritas: fazem um grande esforço a tentar provar que são muito bonzinhos (se calhar porque já não podem ser considerados bonzões...), têm sempre muita pena dos desgraçadinhos, mas se estes fazem a mínima coisa para lutarem contra esse “estado de desgraça” é porque são uns invejosos, têm falta de auto-estima, etc... Mas também compreende-se. No fim de contas no dia em que deixar de haver desgraçadinhos e “novos excluídos”, como diabo vão os Pedro Ns. desta vida arranjar maneira de se sentirem superiores e de tentarem demonstrar que são umas jóias de pessoas, sabe-se lá com que intenção?
Aliás em Portugal, parece que o único sentimento conhecido para que não se concorde cegamente com tudo aquilo que certas pessoas dizem é a inveja. Assim como as únicas doenças mentais que se conhecem são a esquizofrenia e a depressão.
Mas pergunto eu: inveja de quê? De gente estúpida, incapaz de raciocinar por si própria e que só consegue exprimir-se papagueando até à exaustão os mesmos inúteis e estafados discursos pré-fabricados (que metem sempre a estrutura familiar baseada na moral judaico-cristã, a exclusão da mulher como interveniente das mudanças políticas e sociais, etc.)? De gente tonta que passa a vida a gabar-se de ser muita bem tratada pela maioria heterossexual, de ter muitos amigos entre políticos, advogados, magistrados, agentes da PJ, etc., mas que, no entanto, se borra de medo dos skins e nem sequer consegue manifestar-se ou boicotar os Armazéns do Chiado (muito menos processar esse estabelecimento e os seus seguranças) quando um gay é agredido nesse local em pleno dia à vista de todos (provavelmente até à vista de outros gays, que pululam por esse local, mas que devem ter ficado muito quietinhos e caladinhos, reservando as “garras” para alguma vítima mais indefesa ou minoritária)? De gente cobarde e desprezível que só consegue atacar os mais fracos e indefesos (e mesmo assim quando se encontra em grupo ou quando sente as “costas quentes”)? De gente que tanto se orgulha do seu “aspecto normalizado” (como certos mulatos se gabam de terem uma tez mais clara ou feições mais “caucasóides”), mas que, muitas vezes e apesar disso, nem um trabalho decente conseguem arranjar para se bastarem a si próprios, ao contrário de outros que apesar do seu aspecto “anormalizado” conseguem bastar-se a si próprios numa sociedade em que só existe gente velhaca, ordinária, estúpida, racista, homofóbica, cobarde e porca (entre os quais muitos lgbt) que ferozmente os ataca e discrimina e tudo faz para os “desgraçar”? De gente que apesar de ser lgbt, ao sentirem-se um pouco mais “tolerados” ou “normalizados” começam a atacar, insultar, gozar os lgbt “anormalizados”, por vezes com uma violência e crueldade, que até choca alguns heteros? Um dia tenho que contar uma situação que presenciei envolvendo um casal hetero, uma “bicha” e um grupo desses gays de perna bem aberta, firmemente plantada no solo, para dar um ar mais macho.
Algumas pessoas ficam muito escandalizadas porque generalizo dizendo que vivemos num país (mundo) em que só há gente velhaca, ordinária, estúpida, racista, homofóbica, cobarde e porca, mas o problema é que nunca vi ninguém a defender (com “garra e determinação”) um desses “anormalizados novos excluídos” de que, às vezes, se fala só quando alguém quer mostrar que, apesar de normalizado, é muito bonzinho.
Ai o que eu ri quando descobri, através de conhecidos (porque não tenho perfil no Gaydar), que no perfil que o sr. Pedro N. tem nesse site (em conjunto com outra pessoa que faz parte do site gls qualquer coisa) se queixa de enviar centenas de mensagens a diversas pessoas (por uma incrível coincidência todas jovens e/ou bonitas) apelando ao activismo e que ninguém lhe responde. E ri não por causa disto, mas porque me contaram que este sr. Pedro N. - que tanto se queixa da falta de “sentido de classe” dos “bollicaos” que não lhe respondem – não envia mensagens e tampouco responde a mensagens enviadas por “velhos, feios ou efeminados” para uma simples conversa. Ou seja bem prega frei Tomás mas...
Depois venham falar-me em inveja quando o único sentimento que se pode nutrir por esta gentalha é um saudável e bem humorado desprezo. Admirem-se da falta de “sentido de classe” dos lgbt portugueses quando os exemplos dos “activistas” são estes.Sabem que mais? Vão mas é comer arroz de polvo malandrinho...

domingo, 25 de março de 2007

Orgullo Gay

O que vão ler foi retirado do fórum "Orgullo gay" do site espanhol Chueca.com. Apesar de algumas "imprecisões politicas" (principalmente no que se refere ao modo como os regimes comunistas tratam os gays) no geral parece-me bastante bom. Espero que apreciem.
Esto del orgullo nació en Alemania en los años 30. Magnus Hirschfeld y otros gays crearon el Comité Científico Humanitario. Todos ellos eran "locas", para la mentalidad de la época sólo eran homosexuales los afeminados, los que no lo eran se les consideraban heterosexuales viciosos. Gracias a su labor el partido socialdemócrata aprobó leyes contra la discriminación. Estos fueron los primeros resultados del orgullo gay. ¿Qué hacían los antiorgullo por aquel entonces? Apuntarse al partido nazi (hay centenares de libros y artículos sobre ellos) querían dar una imagen correcta y criticar a las "locas" socialdemócratas. Su maravillosa imagen no les sirivió de nada: acabaron junto a sus odiadas locas del orgullo en los campos de concentración. Una vez acabada la II GM los rusos liberaron a los prisioneros de los campos de concentración sin más, sin embargo los aliados separaron a los homosexuales y los volvieron a encerrar. Magnus Hirschfeld y sus compañeros estaban en el exilio y los antiorgullo mostraron los principales rasgos que les caracterizan hasta hoy día: miedo e insolidaridad. No hicieron absolutamente nada. Siguieron con su doble vida: imagen correcta por el día y buscadores de sexo por la noche. Si alguno de ellos era detenido y encarcelado el resto de los antiorgullo no hacían nada para mezclarse con "esa gente".
Continuaron existiendo asociaciones gays, muy minoritarias, Kinsey hizo un estudio sobre la sexualidad humana y Evelyn Hooker hizo un estudio estadístico sobre la población homosexual (nadie lo había hecho hasta entonces) demostrando que la homosexulidad no era ninguna enfermedad. Los bares gays eran acosados por la policía en todo el planeta. Hasta que en uno de ellos, Stonewall de Nueva York, se produjo una revuelta. Fueron los más valientes: las locas y las marimachos los que se enfrentaron a la policía. Los antiorgullo, con su imagen correcta que no querían perder, no montaron ningún escándalo y aceptaron en silencio las palizas y las detenciones. Repito: las locas y las camioneras iniciaron una revuelta que supuso el regreso del orgullo gay. Al año siguiente las revitalizadas asociaciones de gays y lesbianas realizaron la primera marcha del orgullo gay, teniendo enfrente a una sociedad escandalizada y llena de odio. También entonces existían los gays antiorgullo que también criticaron aquellas marchas diciendo que no había que enfrentarse a los homófobos, que daban mala imagen, que si las locas, que si a los heteros no les gustaba aquello, etc. Sin embargo la estrategia del orgullo gay (con una oposición virulenta de las derechas y las iglesias) llevada a cabo por valientes como, en España, Jordi Petit, Amparo Pineda o Armand Fluvià, sí consiguieron gigantescos avances: despenalizar la homosexualidad, lograr su aceptación social, sacar de las cárceles y manicomios a los gays y lesbianas.... Las primeras manifestaciones del orgullo gay eran muy minoritarias recibieron agresiones por parte de skins heads. Las locas y camioneras aguantaron valientemente las agresiones y volvieron año tras año. Los antiorgullo como siempre mostraron su miedo e insolidaridad: no hicieron nada contra nuestros verdaderos enemigos, se limitaron a insultar a aquellos que luchaban por sus derechos.
En la actualidad la manifestación del orgullo gay es una fiesta INTEGRADORA donde gays, lesbianas, transexuales y heterosexuales celebran los derechos humanos y la DIVERSIDAD, puedes ser como quieras y vestir como quieras, siempre serás aceptado. Naturalmente los antiorgullo siguen sin respetar a los que no son como ellos y siguen mostrando su miedo y su insolidaridad. Es mentira eso que dicen de que no van a la manifestación porque no es seria. Yo he estado en manifestaciones "serias" para apoyar la ley de parejas de hecho que rechazó el PP hace unos años, para condenar la negativa del PP en la ONU a que los asesinatos de gays y lesbianas sean considerados violaciones de los derechos humanos. En esas manifestaciones estábamos los de siempre, los que vamos también a la mani del orgullo, los antiorgullo no aparecieron por ahí, ni aparecen por los coloquios o exposiciones. Mendigar "tolerancia" no ha servido nunca de nada a ningún colectivo. Negros, mujeres y homosexuales debemos EXIGIR nuestros derechos y el fin de la discriminación. En la actualidad gracias a la estrategia del orgullo gay y gracias a las manifestaciones están derogadas las leyes que condenaban a la cárcel a los/as homosexuales y España es uno de los países más avanzados en este terreno. Los antiorgullo no han hecho absolutamente nada por ello. Lo único que hacen es lo que podéis ver en este foro: vienen a cargarse, insultan a aquellos que luchamos por sus derechos, creen que son los primeros en decir sus gilipolleces, se sienten superiores y luego se largan dejándonos su mierda. Sin ninguna crítica constructiva sin aportar nada nuevo. -- TochoMad --

We shall overcome (ou tempos difíceis se avizinham)


Ao que consta a extrema-direita mais radical tem-se mostrado cada vez mais activa nos últimos tempos.
O desemprego, a recessão económica, os factores sociais mais variados, a memória que se vai apagando do que foi a repressão antes do 25 de Abril, até mesmo a “ajuda” de alguns jornais (supostamente de referência) muito têm contribuído para isto. Outros melhor do que eu saberão dissertar sobre estas questões.
Mas qual vai ser a situação dos gays mais fragilizados perante esta conjuntura? Qual vai ser a situação dos lgbt, que apenas podem contar consigo mesmos, já que são “demasiado ridículos para serem levadas a sério” até mesmo pelas associações e colectivos lgbt? Qual vai ser a situação dos excluídos por essas associações, colectivos & Co. L.da, que se dizem seus defensores e que tão valentemente colocam as unhas falsas (de rato) de fora para os atacar e insultar (quando se põem demasiado arrebitados), mas que se borram de medo perante os skins e seus derivados e nem um post se atrevem a colocar dando conta desta situação?
Quando vejo pessoas que tanto se queixavam (e queixam) da discriminação e de serem o “último elo da cadeia alimentar” colocarem-se agora ao lado dos nossos torcionários gozando com as bichas e com os gays mais fragilizados, sinto verdadeiro nojo pelo ser humano e pergunto a mim próprio como é que os lgbt mais fracos e até mesmo as ” bicharocas (as tais que não conseguem camuflar-se) mais fortes acabam por sobreviver a tudo isto.
Espanta-me a estratégia desses colectivos lgbt que escorraçam os gays mais discriminados - que são precisamente os que têm mais interesse e mais se empenhariam mudar esse estado de coisas – mas que, no entanto, tudo fazem para chamar a si os gays mais “normalizados” que, ou muito me engano, mal as coisas comecem a dar para o torto vão virar o bico ao prego e começar a perseguir outros gays (até mesmo os dos colectivos) só para mostrar que são pessoas normais (leiam o post seguinte, que é uma cópia de um post que encontrei num fórum espanhol, para entenderem melhor)
Não sei o que virá por aí, nem sei o que pensam os outros gays mais fragilizados (se é que existem neste país, em que todos são muito valentes, ninguém é discriminado, etc.), mas para mim que os “pitbulls” ladrem e mordam o quanto quiserem pois: “WE SHALL OVERCOME”!

A PRIMEIRA VEZ (Não! Não é aquilo que vocês estarão, eventualmente, a pensar)



Muita gente questionar-se-á porque razão aparento tamanha desconfiança e antipatia pelos “auto-designados” colectivos lgbt.
No post anterior já expliquei as experiências mais ou menos “traumáticas” que tive, ao testar “in vitro” estes colectivos. Mas tenho de confessar que já ia um bocadinho de pé atrás (e assim continuo, com bastantes razões, como se pode confirmar) devido a um programa do Artur Albarran, na TVI, talvez em 1992 ou 93, em que, entre outros representantes do grupo social lgbt, participaram o sr. Guilherme de Melo, um tal sr. José Carlos (do Grupo de Trabalho Homossexual), aquele sr. que é dono do bar 106, o “travesti” (era assim que lhe chamavam na altura) Ruth Bryden (a sra. da foto que ilustra este post) e - pela primeira vez em televisão - uma sra. lésbica cujo nome não recordo.
O dito programa era assim a modos que um tribunal, com um público sentado numa espécie de anfiteatro, havendo no fim uma votação para saber se a “homossexualidade (e seus corolários) era um assunto a ser debatido ou compreendido” (ou coisa que o valha).
As coisas não correram lá muito bem e nem vou detalhar muito. Vou apenas referir que o sr. Guilherme de Melo (durante anos o único gay capaz de assumir a sua homossexualidade em Portugal), bem se esforçou, como era seu costume, por contar episódios da sua vida de uma forma mais ou menos cativante para o público, dizendo, p. ex, que, na sua adolescência e juventude, quando ia ao cinema com amigos e amigas, apetecia-lhe colocar a mãozinha marota na mão ou na perna (ou noutras partes) dos amigos em vez de fazer o mesmo com as amigas; que não via utilidade nos colectivos lgbt, etc. No entanto, não conseguiu receber mais do que olhares de repulsa por parte da assistência.
O sr. José Carlos resolveu dizer que até nem era maltratado por ser gay - deve ser mais um desses que consegue andar camuflado e que é tão invejado pelas “bichas”, por causa disso... – mas que gostaria de poder acariciar ou beijar publicamente o seu namorado, sem ser discriminado ou insultado por isso.
A sra. lésbica também lá disse, de sua justiça, os chavões do costume (não era discriminada, queria o mesmo que o sr. José Carlos, etc.), mas essa teve direito aos olhares mais ou menos malandrecos dos homens (hetero) presentes
E o “circo pegou fogo” quando foi chamada a intervir a sra. Ruth Bryden. Ainda nem tinha começado a falar e já o sr. José Carlos começara a torcer o nariz e a pôr cara de nojo ao olhar para ela. Sem papas na língua afirmou que sempre fora constantemente insultadO, humilhadO e discriminadO pela sua aparência, quando se apresentava como homem, mas que após decidir apresentar-se como mulher, as coisas tinham mudado completamente de figura e que passara a ser tratadA com “normalidade”.
O público olhava-a com um misto de curiosidade (mórbida?), compaixão (hipócrita?) e, curiosamente, sem aversão. Mas o que me chocou foi o nervosismo e os ataques do sr. José Carlos que começou a contestar e a pôr em duvida tudo o que a sra. Bryden afirmava, tratando-a por “tu isto, tu aquilo”, enquanto a todos os outros membros do painel lgbt tratara sempre por você.
A certa altura, aquele sr. do bar 106 tomou da palavra, sem autorização de nada nem de ninguém, e resolveu perguntar-lhe algo como: “se não acreditas que a Ruth é discriminada então porque estás a tratá-la por tu, enquanto a todos os outros tratas por você?”, o que recebeu muitos ahhs de aprovação da assistência. Garanto que fiquei de queixo caído, principalmente, por esta “defesa” ter vindo de um desses gays marialvas, rústico e entroncado, sempre de perna bem aberta, firmemente plantada no solo (para dar um ar mais macho). Mas o que posso dizer? A vida é feita de surpresas e temos que estar abertos a tudo.
Antes de continuar, vou advertir @s
incaut@s leitor@s que podem parar com esses risinhos sacanas, por causa desta do “temos que estar abertos a tudo”, porque isto é um blog de gente séria e não um desses blogs (um em especial...) cujo apanágio são as descaradas e provocatórias exibições de carnes. Portanto comportem-se!
Mas continuando, lembro-me que o programa acabou com os srs. José Carlos e Guilherme de Melo a olharem de forma consternada e dasaprovadora para a sra. Ruth Bryden, como se fosse ela a responsável pela discriminação que sofrem as minorias sexuais, e de me ter ido deitar a pensar: “Imagina! Afinal a discriminação maior não partiu dos heteros, mas sim dos gays e ainda por cima de um activista. Estamos bem arranjados, se são estes sacanas que defendem os nossos direitos”.
Ao fim de 14, 15 anos entristece-me ver que tudo continua na mesma, apenas tendo mudado as vítimas (que passaram a ser as bichas e os gays mais fracos), apesar dos tempos difíceis que se avizinham e a que dedicarei o próximo post.

sábado, 24 de março de 2007

Alguns esclarecimentos (ou porque raio é que me decidi a criar este blog)



Contrariamente ao que se possa concluir dos delírios persecutórios do sr. Sérgio Vitorino (que até me já me trata por Mike, tal o estado de nervos em que se deve encontrar...), quando me aventurei a criar este blog não foi “apenas para fazer guerra a um coletivo que luta pela causa lgbt e contra discriminações...”, nem para fazer guerra a qualquer outro colectivo porque:

a) não tenho vida para isso;

b)os “colectivos” já se guerreiam muito bem entre si (e dentro de si) e não precisam da minha fraca ajuda para o fazerem ainda mais e melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista);

c) no meu modesto entender, os colectivos até podem estar a fazer muita coisa (como defender os seus próprios interesses, p. ex.), mas a lutar pela causa (de todos os) lgbt e contra discriminações é algo que não estão a fazer, com toda a certeza.

Como já tive oportunidade de contar (se entretanto os comentários no blog das PANTERAS ROSA não tiverem sido apagados ou modificados...), já fui ver, in loco, as associações lgbt mais conhecidas e, talvez por um incrível azar meu, a impressão com que fiquei não foi a melhor.
A minha passagem por cada uma dessas associações daria, só por si, matéria para um post bem longo, por isso vou limitar-me a dizer que a primeira associação que contactei me deixou com a sensação de estar a ser gozado pelos “habitués da casa” pois até telefonemas obscenos comecei a receber (tipo Stevie Wonder hardcore 3º escalão "só telefonei para dizer que te quero ir ao cu").
A segunda associação propôs-me frequentar umas reuniões de um grupo de auto-ajuda em que ouvi “pérolas” do estilo:

a) “Deixa-me levar o inquérito àquela bicha” (dito em tom de desprezo, porque a criatura referida tinha um aspecto frágil e efeminado);

b) “Fulano é tão bicha, tão bicha, tão mariquinhas, que até amarrado e amordaçado, se consegue ver que é bicha só pelo olhar. Na minha opinião não devíamos representar essas criaturas, pois dão-nos mau nome, etc....” . Isto dito alto e bom som por um activista da dita associação numa dessas reuniões de auto-ajuda, no meio das risadas dos restantes.
Como me atrevi (nem sei como...) a dizer, muito timidamente, que se calhar em vez de nos esforçarmos tanto por combater a discriminação dos heteros, deveríamos talvez começar por tentar combater a discriminação de que nós próprios (gays) somos os agentes, ficaram todos a olhar-me como se tivesse sido acometido por um acesso de mania aguda. E mais tarde quando contactei o moderador do grupo para referir que já não iria a mais reuniões, este responde-me que concordava plenamente, pois de facto eu não estava integrado no “espirito do grupo” e que devia antes frequentar consultas de ajuda psicológica.
Com as PANTERAS ROSA foi o que se viu. Bem podem dizer que tenho reacções de animal ferido, que disparo em todas as direcções, etc. Agora não me venham dizer que admitem todo o tipo de comentários no seu blog, inclusive comentários de neo-nazis, mas que bloqueiam os meus comentários por serem demasiado intoleráveis (se calhar porque dizem verdades inconvenientes...).
Que não me venham falar em distorções e mentiras (se eu fosse um neo-nazi falariam delicadamente em “inverdades” ou nem sequer se atreveriam a falar) porque citando o bem disposto anónimo comentador do blog pintérico “so os mais persistentes e ke insistem em nao ver os dois lados da questao e se agarram ao lado do discurso menos feliz do acusado... Porem o ultimo comentario do acusado ke esta aki a ser julgada ja esta menos virulento e amtipatico e comeca a restringir-se ao essensial que e a discrimionacao de que as bicharocas sao vitimas. Talvez, tudo nao seja em vao e algumas pessoas saiam daki com um poko mais de tolerancia. oxala que sim!”. (o “acusado” sou eu como já devem ter reparado).
E que não me venham dizer que “pelos vistos interpretámos bem o teu carácter e as tuas intenções quando passámos a impedir-te de usar o nosso blog para os teus jogos de manipulação e insulto”, quando só depois de me terem impedido o acesso à caixa de comentários do blog das pintéricas, se atreveram a começar a insultar-me e ameaçar-me, porque isso diz mais sobre o vosso “carácter” de que sobre o meu.
Para dizer a verdade a minha preocupação nem sequer é com os gays mais efeminados, mais velhos ou mais feios que têm força ou poder suficiente para se fazerem respeitar, mas sim com os gays mais fracos, mais tímidos ou mais fragilizados (independentemente da beleza, da idade ou da efeminação) que toda a gente acha lindamente que sejam discriminados e maltratados porque “não fazem mal a ninguém”.
Por isso decidi dizer BASTA!
BASTA de discriminação por parte dos heteros, dos gays e até das associações que fingem defender-nos!
BASTA de sermos acusados de todos os males que afligem o mundo (desde a discriminação dos lgbt, ao arcaísmo das leis portuguesas, até aos incêndios florestais, se for preciso. Brinquem, brinquem, mas qualquer dia...).
BASTA de sermos usados e abusados e de só se lembrarem de nós, quando é preciso ver aprovada uma qualquer lei que, no fim, só vai beneficiar os lgbt que nos discriminam. Aí tornamo-nos utilíssimos e recordam (hipocritamente e até à exaustão) o nosso risco acrescido de consumo de drogas e álcool, de suicídio, de comportamentos sexuais perigosos, etc. Ou, melhor (e mais útil) ainda o risco de sermos vítimas de assassinatos particularmente violentos.
Pelo que me concerne, apesar de fazer parte desse grupo de gays mais fracos e discriminados (porque não fazem mal a ninguém), não pretendo ser mais um número nas “estatísticas” acima referidas, só porque dá jeito a uns quantos patetas cujo único mérito na vida se resume a “estamos camuflados e passamos facilmente despercebidos” (no meio dos heteros...).
Por isso apelo a todo o pessoal, que esteja nas mesmas condições, que se atreva a assumir a sua fraqueza, a sua “bichice”, seja lá o motivo que for porque é discriminado (principalmente pela comunidade lgbt). Comecem a dizer de sua justiça e unamo-nos para nos defendermos.
Deve ser um sonho cor de rosa (sem segundos sentidos), mas sonhar (apenas q.b.) sabe tão bem...
P.S. Nas fotos encontram-se, respectivamente, o Excelentissimo Senhor José Maria e a Excelentissima Senhora Dona Maria José, escutando atentamente os meus esclarecimentos. Espero que os incautos leitores deste blog tenham a mesma atitude (e, se possível, adoptem a mesma pose :D)

quinta-feira, 22 de março de 2007

Tudo começou porque... (ou como se criam os novos excluídos)

Decidi criar este blog no dia em que um alegado grupo de defesa dos direitos dos glbt, de seu nome "PANTERAS ROSA", que afirma ser "contra todas as exclusões" decidiu passar a censurar os meus comentários no seu blog, alegando que eu insultava, agredia, etc.
E tudo porque me atrevi a responder aos comentários "bichofóbicos" colocados por alguns leitores do dito blog. O último dos quais colocado no dia 3 de Março, ridicularizando (de forma assaz divertida, diga-se de passagem) as respostas (leia-se chavões idiotas e mais do que gastos) fornecidas pelas "Panteras Rosa" e seus "satélites" e afirmando entre outras coisas que as bicharocas são todas fúteis e vazias, que é impossível manter com elas uma conversa séria e inteligente - dando como exemplo o ter ido ao quarto escuro do Bric a Bar e não ter vislumbrado nenhum sinal de "inteligência ao fundo do túnel" por parte das bichas que frequentam o Bric (pergunto a mim próprio se terá vislumbrado esses sinais de inteligência por parte dos gays machos que frequentam o tal quarto escuro e o teor das conversas inteligentes que terá conseguido manter com os ditos... ) - , etc.
Sentindo-me um tanto chocado pelo facto de os supostos activistas das "PANTERAS ROSA", provavelmente por já terem esgotado todos os chavões em stock, não responderem a este último comentário deixando pairar a ideia de que as bichas são efectivamente todas tontas e rídiculas e as grandes culpadas por todos os males que afligem a "comunidade" lgbt, no dia 3 de Abril decidi comentar no blog das "PANTERAS ROSA" dizendo que tampouco me parecia um sinal de grande inteligência alguém ir procurar ter conversas "sérias e inteligentes" no quarto escuro do Bric ou de quatro atrás dos arbustos e que me chocava a maneira como se faz activismo lgbt em Portugal, dando uns quantos exemplos.
O que eu fui fazer... Num abrir e fechar de olhos passei a ser "o acusado que está aqui a ser julgada", para citar as divertidas palavras dos bichofóbicos comentadores que, curiosamente, nem uma única vez foram censurados pelas "aguerridas" PANTERAS. A partir daí a conversa azedou porque decidi responder à letra aos ataques que me faziam e por fim decidiram passar a censurar apenas os meus comentários, por os considerarem insultuosos (embora tenha a impressão que a palavra mais apropriada seja "inconvenientes" ou "incómodos").
Como se não bastasse, dando mostras daquela grande coragem e nobreza de carácter que sempre me deixam com a impressão que os portugueses são todos velhacos, ordinários, estúpidos, racistas, homofóbicos, cobardes e porcos e num rasgo de grande coerência, gente que não se atrevia a responder-me, antes dos meus comentários serem censurados, passaram a ameaçar-me e insultar-me armados em "gajos benignamente atrofiados, com a mania que são o rambo e batem em todos" (mas onde é que eu li isto?).
Por isso decidi criar este blog.
Aviso desde já que adoro dizer mal e fazer críticas destrutivas. E que adoro ouvir dizer mal (mas só dos outros, claro está...), por isso sintam-se livres para dizer de vossa justiça.
Os próximos posts serão dedicados (não necessariamente por esta ordem) ao percurso das "PANTERAS ROSA" e da proto-associação "GRUPO DE TRABALHO HOMOSSEXUAL DO PSR" (eu tenho uma memória de elefante, por isso não se queixem...), ao caridoso sr. Pedro Nascimento e ao pobre "aleijadinho" (comentador residente das "PANTERAS ROSA"), que tem muita tolerância pelas bichas e que nunca sai de casa coitadinho, mas se queixa de que não o deixam entrar em discotecas, bares e saunas gay.
Não prometo muita regularidade nos posts, pois alguns de nós (apesar de sermos "bichas" discriminadas diária e impunemente, mesmo dentro da própria "comunidade" e associações lgbt) somos obrigados a ganhar a vida honestamente e bastar-nos a nós próprios, pois não temos a desculpa do "activismo" para nos darmos ao luxo de nos mantermos "12 anos no desemprego a passar privações" (qual frei Benedito que não come e não bebe, mas está sempre gordito...), por isso aguardem as cenas dos próximos capítulos...