a) não tenho vida para isso;
b)os “colectivos” já se guerreiam muito bem entre si (e dentro de si) e não precisam da minha fraca ajuda para o fazerem ainda mais e melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista);
c) no meu modesto entender, os colectivos até podem estar a fazer muita coisa (como defender os seus próprios interesses, p. ex.), mas a lutar pela causa (de todos os) lgbt e contra discriminações é algo que não estão a fazer, com toda a certeza.
Como já tive oportunidade de contar (se entretanto os comentários no blog das PANTERAS ROSA não tiverem sido apagados ou modificados...), já fui ver, in loco, as associações lgbt mais conhecidas e, talvez por um incrível azar meu, a impressão com que fiquei não foi a melhor.
A minha passagem por cada uma dessas associações daria, só por si, matéria para um post bem longo, por isso vou limitar-me a dizer que a primeira associação que contactei me deixou com a sensação de estar a ser gozado pelos “habitués da casa” pois até telefonemas obscenos comecei a receber (tipo Stevie Wonder hardcore 3º escalão "só telefonei para dizer que te quero ir ao cu").
A segunda associação propôs-me frequentar umas reuniões de um grupo de auto-ajuda em que ouvi “pérolas” do estilo:
a) “Deixa-me levar o inquérito àquela bicha” (dito em tom de desprezo, porque a criatura referida tinha um aspecto frágil e efeminado);
b) “Fulano é tão bicha, tão bicha, tão mariquinhas, que até amarrado e amordaçado, se consegue ver que é bicha só pelo olhar. Na minha opinião não devíamos representar essas criaturas, pois dão-nos mau nome, etc....” . Isto dito alto e bom som por um activista da dita associação numa dessas reuniões de auto-ajuda, no meio das risadas dos restantes.
Como me atrevi (nem sei como...) a dizer, muito timidamente, que se calhar em vez de nos esforçarmos tanto por combater a discriminação dos heteros, deveríamos talvez começar por tentar combater a discriminação de que nós próprios (gays) somos os agentes, ficaram todos a olhar-me como se tivesse sido acometido por um acesso de mania aguda. E mais tarde quando contactei o moderador do grupo para referir que já não iria a mais reuniões, este responde-me que concordava plenamente, pois de facto eu não estava integrado no “espirito do grupo” e que devia antes frequentar consultas de ajuda psicológica.
Com as PANTERAS ROSA foi o que se viu. Bem podem dizer que tenho reacções de animal ferido, que disparo em todas as direcções, etc. Agora não me venham dizer que admitem todo o tipo de comentários no seu blog, inclusive comentários de neo-nazis, mas que bloqueiam os meus comentários por serem demasiado intoleráveis (se calhar porque dizem verdades inconvenientes...).
Que não me venham falar em distorções e mentiras (se eu fosse um neo-nazi falariam delicadamente em “inverdades” ou nem sequer se atreveriam a falar) porque citando o bem disposto anónimo comentador do blog pintérico “so os mais persistentes e ke insistem em nao ver os dois lados da questao e se agarram ao lado do discurso menos feliz do acusado... Porem o ultimo comentario do acusado ke esta aki a ser julgada ja esta menos virulento e amtipatico e comeca a restringir-se ao essensial que e a discrimionacao de que as bicharocas sao vitimas. Talvez, tudo nao seja em vao e algumas pessoas saiam daki com um poko mais de tolerancia. oxala que sim!”. (o “acusado” sou eu como já devem ter reparado).
E que não me venham dizer que “pelos vistos interpretámos bem o teu carácter e as tuas intenções quando passámos a impedir-te de usar o nosso blog para os teus jogos de manipulação e insulto”, quando só depois de me terem impedido o acesso à caixa de comentários do blog das pintéricas, se atreveram a começar a insultar-me e ameaçar-me, porque isso diz mais sobre o vosso “carácter” de que sobre o meu.
Para dizer a verdade a minha preocupação nem sequer é com os gays mais efeminados, mais velhos ou mais feios que têm força ou poder suficiente para se fazerem respeitar, mas sim com os gays mais fracos, mais tímidos ou mais fragilizados (independentemente da beleza, da idade ou da efeminação) que toda a gente acha lindamente que sejam discriminados e maltratados porque “não fazem mal a ninguém”.
Por isso decidi dizer BASTA!
BASTA de discriminação por parte dos heteros, dos gays e até das associações que fingem defender-nos!
BASTA de sermos acusados de todos os males que afligem o mundo (desde a discriminação dos lgbt, ao arcaísmo das leis portuguesas, até aos incêndios florestais, se for preciso. Brinquem, brinquem, mas qualquer dia...).
BASTA de sermos usados e abusados e de só se lembrarem de nós, quando é preciso ver aprovada uma qualquer lei que, no fim, só vai beneficiar os lgbt que nos discriminam. Aí tornamo-nos utilíssimos e recordam (hipocritamente e até à exaustão) o nosso risco acrescido de consumo de drogas e álcool, de suicídio, de comportamentos sexuais perigosos, etc. Ou, melhor (e mais útil) ainda o risco de sermos vítimas de assassinatos particularmente violentos.
Pelo que me concerne, apesar de fazer parte desse grupo de gays mais fracos e discriminados (porque não fazem mal a ninguém), não pretendo ser mais um número nas “estatísticas” acima referidas, só porque dá jeito a uns quantos patetas cujo único mérito na vida se resume a “estamos camuflados e passamos facilmente despercebidos” (no meio dos heteros...).
Por isso apelo a todo o pessoal, que esteja nas mesmas condições, que se atreva a assumir a sua fraqueza, a sua “bichice”, seja lá o motivo que for porque é discriminado (principalmente pela comunidade lgbt). Comecem a dizer de sua justiça e unamo-nos para nos defendermos.
Deve ser um sonho cor de rosa (sem segundos sentidos), mas sonhar (apenas q.b.) sabe tão bem...
P.S. Nas fotos encontram-se, respectivamente, o Excelentissimo Senhor José Maria e a Excelentissima Senhora Dona Maria José, escutando atentamente os meus esclarecimentos. Espero que os incautos leitores deste blog tenham a mesma atitude (e, se possível, adoptem a mesma pose :D)